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Encontrar o tesouro nas Ilhas Turtle

Uma expedição documenta ervas marinhas na Serra Leoa pela primeira vez.

Existem ervas marinhas na Serra Leoa? Até à semana passada, esta era uma pergunta sem resposta. Apesar de o Atlas Mundial das Ervas Marinhas indicar que a Halodule wrightii está presente em Serra Leoa, nenhum dado ou localização específicos são conhecidos.

O projeto ResilienSEA, financiado pela Fundação MAVA, está a esforçar-se por ampliar os conhecimentos sobre ervas marinhas em sete países na África Ocidental, incluindo a Serra Leoa, e por proteger estes ecossistemas vitais. Enquanto parte do projeto, cada país deve cartografar e monitorizar as ervas marinhas num local-piloto nacional.

Em Serra Leoa, missões anteriores de busca de ervas marinhas não tinham alcançado êxito, pelo que no início deste mês uma equipa embarcou numa nova missão exploratória. A equipa, em conjunto com representantes da Agência de Proteção Ambiental (APA) da Serra Leoa e da GRID-Arendal, viajou até às Ilhas Turtle, a oeste da Ilha Sherbro na província do sul da Serra Leoa. Este pequeno grupo de oito ilhas abrange uma área de águas pouco profundas e bancos de areia branca. A área é relativamente remota e difícil de alcançar, mas uma análise SIG de alto nível e conhecimentos locais dos pescadores indicaram que poderia ser uma localização ideal para ervas marinhas.

Depois de passar uma noite na Ilha Banana, no norte, a equipa avançou lentamente para as Ilhas Turtle. Minutos depois de chegar perto da Ilha Moot, uma das maiores das Ilhas Turtle, Melissa Ndure, da APA, gritou com entusiasmo que pensava ter encontrado ervas marinhas nas águas pouco profundas. A reputada cientista de ervas marinhas Maria Potouroglou da GRID-Arendal rapidamente confirmou a descoberta.

A presença de uma pradaria ampla e saudável de Halodule wrightii fora finalmente confirmada na Serra Leoa.

Além de uma população de ervas marinhas saudáveis, a equipa descobriu que a pradaria de ervas marinhas era rica em diferentes tipos de organismos, incluindo arraias, estrelas-do-mar e muitas espécies de peixes jovens, todos utilizando este habitat para se alimentarem ou protegerem.

Ramatu Massaquoi, Diretora Adjunta da APA, partilhou o seu entusiasmo: “É uma grande alegria saber pela minha equipa que foram descobertas ervas marinhas saudáveis com tanta biodiversidade e atributos associados.”

Tanya Bryan, Coordenadora de Projetos da GRID-Arendal, também ficou impressionada com a notícia da descoberta: “Estamos tão entusiasmados com a equipa pela sua descoberta e por a Serra Leoa finalmente ter uma presença confirmada de ervas marinhas. Estamos ansiosos por trabalhar com a APA e o resto dos parceiros na equipa nacional sobre a forma como podemos apoiar os esforços futuros de cartografia e monitorização e potencialmente de outras pradarias de ervas marinhas ainda por descobrir!”

No início de 2020, a APA irá liderar outros trabalhos neste local-piloto, incluindo a cartografia da extensão total das pradarias de ervas marinhas e a condução de reuniões de envolvimento das partes interessadas sobre as melhores formas de monitorizá-las e preservá-las.

Tanya Bryan

Fotografias: Rob Barnes (GRID-Arendal)

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